Agricultor denuncia agressão e fraude de dois padres da Pastoral da Terra no Amapá

A ocorrência de agressão a um agricultor foi feita no Ciosp do pacoval, em Macapá | Arte: CB

Da Redação

O produtor rural Mário Júnior Rocha, agricultor da região da zona rural do município de Macapá, registrou Boletim de Ocorrência (B.O.) no Centro Integrado de Operações em Segurança Pública (CIOPSP) do Pacoval, em Macapá, contra dois padres estrangeiros que atuam junto à Comissão Pastoral da Terra (CPT) no Amapá, identificados como “Padre Dennis” e “Padre Sisto”, que seriam norte-americano e italiano, respectivamente. Segundo o registro, Dennis e Sisto teriam chegado à propriedade da vítima fazendo fotografias do local, ação que foi questionada pelo agricultor, dando-se então início a uma grande confusão, com bate boca e depois vias de fato. Na tentativa de comunicar o fato ao posto policial da localidade, o agricultor alega ter sido fechado pelo carro da CPT, tendo o carro danificado pela batida.

Em nota, a APROSOJA-AP (Associação dos Produtores de Soja e Milho do Amapá) repudiou a ação do suposto integrante da CPT. Assinada pelo presidente da entidade, Celso Carlos Júnior, a Nota manifesta em nome da entidade seu repúdio ao ato de violência ocorrido na Fazenda São Sebastião, no Distrito de São Benedito da Campina, Macapá. “Provavelmente imaginando que a família não estivesse em casa, nessa manhã de terça-feira de carnaval, dois padres ESTRANGEIROS, em uma camionete de luxo, último modelo, da conhecida Comissão Pastoral da Terra, invadiram a propriedade do membro da nossa associação, Mário Júnior Rocha”, denuncia o documento.

Ainda segundo a denúncia, quando abordados, alegaram querer apenas tirar algumas fotos, o que não foi autorizado e tendo sido pedido que se retirassem imediatamente, iniciou-se uma acalorada discussão e na presença da esposa e dos filhos menores do agricultor. “Uma covarde sessão de agressão física. Profundamente lamentável a postura dos dois sacerdotes, que deveriam prezar pela paz e ajudar a reduzir os conflitos, sejam eles no campo ou na cidade”, diz a Aprosoja.

A referida atitude, segue a nota, é ainda mais reprovável, no momento em que as autoridades estaduais e federais estão empenhadas na busca de uma solução legal e justa para insegurança jurídica provocada pela demora, falhas processuais e má fé envolvidas nos processos de transferência das terras da União para o Estado e de licenciamento ambiental para a agricultura. “Já é sabido pela comunidade que esses ‘padres’, um italiano e outro americano, pastores sem rebanho e oficialmente apresentados como defensores de causas completamente desmoralizadas pela história, estão envolvidos com diversos acontecimentos de estímulo à violência no campo e nas cidades do Amapá”, acrescenta a nota.

Celso Carlos Júnior diz ainda que os agricultores têm natureza pacífica e trabalhadora e também se sentem brasileiros, como de fato são, com seus direitos e deveres e acima de tudo acreditam no Amapá e no Brasil, nas suas instituições e no valor do esforço honesto, muito além das bandeiras e dos discursos politico-partidários. “Temos certeza que esse acontecimento não ficará impune e que o Amapá encontrará seu caminho de paz e prosperidade. Deixo registrado, finalmente, o respeito e solidariedade da nossa associação ao Júnior, à Júlia e aos filhos do casal, desejando que os verdadeiros ensinamentos Divinos os ajudem a superar rapidamente esse trauma”, encerra do dirigente da Aprosoja-AP.

Versão

 

Em uma publicação em uma rede social, um dos padres acusados pelo agricultor, identificado como Dennis Koltz, escreve em português e inglês que teria sido agredido primeiro e que sua ação foi em decorrência de uma fiscalização na fazenda em questão. “Meu carro levou a pior numa fiscalização”, escreveu o integrante da Pastoral da Terra. Na postagem, ele destaca a lateral de uma picape cabine dupla amassada por um abalroamento lateral e acusa o agricultor pela batida. 

 

O boletim de ocorrência foi lavrado pelo policial civil Felipe Silva dos Santos e o inquérito policial distribuído ao delegado de Polícia Sandro Simey Torrinha da Silva, que terá prazo inicial de 30 dias para conclusão da investigação, que deverá ouvir os envolvidos, testemunhas e até mesmo requisitar perícia forense.