Amapá e Brasil perto de eliminarem a Aftosa

Imagem aérea de búfalos no Araguari.

Em 2016, o estado do Amapá alcançou os maiores índices de vacinação contra Febre Aftosa de sua história, através do estabelecimento de parceria do poder público com a iniciativa privada, movimentando campanha que supera as metas estabelecidas pelo Ministério da Agricultura.

O estado do Amapá possui, segundo a Agência de Defesa Sanitária Animal e Vegetal do Amapá – DIAGRO, um rebanho de 54.710 bovinos e 271.709 bubalinos, totalizando 326.419 bovídeos com grande potencial de alcance do mercado externo, sobretudo dos países orientais como China, Rússia, Emirados Árabes, Irã e Coréia do Sul. Esse potencial de comércio se amplia ao se levar em consideração a carne de búfalos, principalmente por ser o Amapá o estado brasileiro com maior diversidade genética onde raças como Murrah e Mediterrâneo se adaptaram e expõe suas versatilidades em forma de carcaças com excelente acabamento para um mercado cada vez mais exigente.

No entanto, entre os estados brasileiros, somente Amazonas, Roraima, parte do Pará e Amapá possuem restrições sanitárias e comerciais causadas pelo perigo de contágio pela Febre Aftosa, limitando a produção ao consumo interno e desestimulando investimentos nas indústrias de corte e leite, que representam uma movimentação anual de aproximadamente de R$ 188 bilhões na economia brasileira.

A sanidade do rebanho amapaense sob aspectos epidemiológicos, mostra que apesar de não possuirmos circulação de vírus vesicular, como o da Febre Aftosa, existem restrições impostas por Órgão Internacional de Epizootias – OIE, que requer vários protocolos para certificação de mudança de status para livre de Febre Aftosa com vacinação. Neste sentido, o poder público estadual através da DIAGRO, estabeleceu forte parceria com a iniciativa privada que se organizou na Associação dos Criadores do Estado do Amapá – ACRIAP, a qual sensibilizou e mobilizou pecuaristas amapaenses na participação direta da campanha de vacinação ocorrida no segundo semestre de 2016.

O índice de 95,6% de imunização do rebanho amapaense superou a meta de 90% estabelecida pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento – MAPA, e OIE e se tornou o maior índice da história do Amapá que era de 92% em 2010, ano em que o próprio Ministério da Agricultura assumiu a campanha de imunização.

Nesse ano do 2017, a auditoria realizada pelas autoridades do MAPA constatou a veracidade das informações da campanha de vacinação de 2016 e o protocolo que leva o Amapá ao status de livre da aftosa com vacinação se encontra às vésperas de sua certificação. Além disso, a campanha de vacinação de 2017 iniciou com uma meta ousada de alcançar os 100% de vacinação do rebanho para que, em março de 2018, o Amapá esteja entre os estados brasileiros com a certificação de livre da aftosa sem vacinação.

A proximidade do estado do Amapá se tornar livre da Aftosa, abre possibilidades significativas que incluem uma maior segurança alimentar da população pela qualidade do produto que passa a chegar à sua mesa, até à perspectiva de investimentos nas indústrias de corte para a modernização de abatedouros e frigoríficos, além da indústria de laticínios com produtos como leites e iogurtes. Isso significaria uma injeção na economia local pelo surgimento de novos negócios e geração de empregos e, consequentemente, aumento do mercado consumidor interno, afetando em cadeia as demais áreas econômicas.

Os outros estados com restrições comerciais devido aos aspectos sanitários ocasionados pela aftosa também estão em processo acelerado de inspeção sanitária na busca de cumprir os protocolos brasileiros e internacionais visando a sua entrada no mercado, neste sentido, o Brasil terá um ganho significativo com valorização de seus produtos, consolidando ainda mais a imagem de um grande país produtor e possuidor de processos e tecnologias seguras aplicadas à indústria de alimentos.

 

Juan Monteiro

Administrador e Jornalista

 

 

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