Construção de terminal graneleiro no Amapá entra em fase de testes em simulador

Novas operações portuárias poderão receber a chancela da Marinha e impulsionar capacidade de cargas

Cleber Barbosa, da Redação

O projeto de construção de dois novos terminais portuários no Amapá – um graneleiro e outro de combustíveis – entra na fase de testes em simulador. A unidade escolhida para isso é referência em simulações de novas operações portuárias no país, o laboratório Tanque de Provas Numérico da Escola Politécnica da USP (Universidade de São Paulo), que abriu suas portas para debater o futuro da logística portuária do Amapá. Especialistas estão simulando a entrada de navios maiores no Porto de Santana e em dois terminais privados que serão construídos no distrito de Anauerapucu, no município de Santana.

Diversas autoridades locais e nacionais participam dos eventos, como a presidente da Frente Parlamentar Mista em Defesa dos Portos do Norte, deputada federal Leda Sadala (AVANTE/AP), o senador suplente Paulo Albuquerque (PSD/AP), o prefeito de Santana Ofirney Sadala, o presidente da Companhia Docas de Santana, Glauco Cei, o promotor de Justiça André Luís Azevedo, da Comarca de Santana, o comandante da Capitania dos Portos do Amapá, capitão-de-fragata Carlos Augusto de Souza Junior, além do presidente do Conselho Nacional da Praticagem (CONAPRA), Ricardo Falcão – que atua no Amapá.

Seguindo norma da Associação Mundial de Infraestrutura de Transporte Marítimo (PIANC), referendada pela Organização Marítima Internacional (IMO), sete práticos participam das manobras na USP, contribuindo com a antecipação de problemas e a definição de limites operacionais. “A presença da praticagem nas simulações assegura projetos mais otimizados e seguros, colaborando para o desenvolvimento portuário. Desde 2012, 200 práticos já participaram de 164 simulações anteriores à implantação de novos portos e operações no país”, diz Ricardo Falcão.

Com potencial para se tornar um “hub” [entreposto] de distribuição portuário, o Arco Norte é considerado promissor para o escoamento da produção do agronegócio do Centro-Oeste, tendo em vista a proximidade com o Canal do Panamá, que encurta a viagem para a China, e investimentos recentes da Praticagem do Amapá, da Marinha do Brasil e do Governo Federal.
Essa produção chega pelo Rio Madeira até Itacoatiara (AM) ou pela BR-163 até Miritituba (PA), de onde segue em barcaças pelo Rio Tapajós para Santarém (PA), Santana (AP) ou Barcarena (PA). A rodovia BR-163 foi concluída recentemente pelo governo.

Alternativas

O presidente do Conselho Nacional de Praticagem, Ricardo Falcão, com o jornalista Cleber Barbosa

A Praticagem do Amapá atua desde Itacoatiara até a saída do Rio Amazonas pela barra norte. Em março, a Marinha atualizou a carta náutica da região, que apresentava alguns trechos ainda da década de 80. A renovação da cartografia revelou um canal mais profundo no trecho lamoso da barra norte, o mais desafiador para a passagem de navios mais carregados.

Além de sondar regularmente as profundidades dos rios da Amazônia, a praticagem instalou marégrafos na barra norte, possibilitando travessias de alta precisão em mais janelas de maré. Os resultados dos investimentos em batimetria e na tábua de marés são verificados nos ganhos do calado máximo autorizado (parte submersa das embarcações), que passou de 11,50 metros para 11,70 metros, em 2018, e para 11,90 metros em 2020 (em testes). A cada vinte centímetros um navio carrega mais duas mil toneladas (carga aproximada de cem caminhões).

Calado

As manobras de navios cargueiros sendo projetadas no simulador da Universidade de São Paulo (USP)

Outro investimento da praticagem foi a sondagem do entorno da Ilha de Santana, em frente ao porto, que indica a possibilidade de uma rota para a chegada dos grandes graneleiros. Hoje, embarcações de até 203 metros de comprimento (Handysize) fazem o giro na bacia de evolução para atracar, mas a área impede a manobra de navios maiores. Com o novo trajeto, os navios já entrarão alinhados aos berços do porto, dispensando o giro na bacia. Isso permitirá a entrada dos graneleiros na faixa de 235 metros (Panamax), com dois porões a mais de carga, trazendo ganhos significativos de produtividade.

Para permitir que as simulações tivessem o máximo de realismo, os terminais privados contrataram uma modelagem matemática das correntes do canal de Santana (estudo de escoamento d’água durante todas as marés), além de um extenso trabalho de medição das correntes no local. Foram 529 passagens de uma embarcação com equipamento ADCP (Acoustic Doppler Current Profiler) de última geração.

Aval

As provas do simulador já contam com a maquete eletrônica dos futuros terminais graneleiro e de combustíveis de Santana (AP)

A construção de dois novos Terminais de Uso Privado (TUP) no Amapá foi autorizada no final do ano passado, pela Agência Nacional de Transportes Aquaviários (ANTAQ) e Ministério da Infraestrutura (MINFRA). Com isso, a Plataforma Logística do Amapá tem até cinco anos, a partir de 2020, para concluir as obras no município de Santana. A expectativa é que o Terminal de Granéis Líquidos do Amapá (TGLA) e o Terminal de Granel do Amapá (TGA) movimentem a economia e geração de empregos durante as obras. A partir do momento do funcionamento, o estado do Amapá entra na rota logística de exportação de grãos.

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