“Resolvidos os gargalos, o mercado de grão dará um salto no Amapá”

O professor de economia amapaense Joselito Abrantes e o livro que ajudou a escrever | Foto: Maksuel Martins

O amapaense Joselito Abrantes, que é professor de economia, fala neste domingo sobre uma das principais conclusões do livro que ele e outros grandes pesquisadores lançaram essa semana, com a história e as projeções para o incremento da economia. É um dos coautores da coletânea “Economia do Amapá, Desafios e Perspectivas”, lançada esta semana em Macapá.

Cleber Barbosa, da Redação

Portal do Agro – O livro que o senhor ajudou a escrever e que foi lançado esta semana faz uma projeção arrojada de crescimento do PIB do Amapá caso decida apostar na indústria de grãos, como isso poderia acontecer professor?
Joselito Abrantes – Exatamente, o estudo que nós fizemos tem um recorte de 2012 a 2018, período que marca o início da produção em escala de soja no Amapá. E 2018 foi o último ano que nós tivemos as informações disponíveis levantadas. No começo foi em uma área de 2,4 mil hectares de soja plantada em 2012, para uma área plantada de 22 mil hectares em 2018, uma produtividade de 40 toneladas por hectare em 2012 e que em 2018 chegou a 50 toneladas por hectare, uma produtividade melhor até que em Mato Grosso e Paraná.

Portal – Ainda no livro o senhor também diz que se forem superados alguns gargalos, alguns desafios, esse rendimento poderia ser muito maior. Quais seriam eles então professor?
Joselito Abrantes – Se esses desafios forem superados de forma mais célere, num curto espaço de tempo, que é a questão do licenciamento ambiental e da regularização fundiária, que são dois obstáculos que estão trazendo insegurança jurídica para os produtores e para os investidores. Isso está desmotivando um pouco a vinda deles para o nosso estado, com o registro ainda de vários episódios junto ao Ibama, multas, polícia federal, enfim, uma carga pesadíssima sobre os produtores o que gerou certa insegurança para o setor.

Portal – Mas essas terras ainda não são do produtor?
Joselito – Não, exatamente esse é o problema, essa falta de regulamentação [fundiária] é que está dificultando uma expansão mais rápida da produção. Nós temos, a partir de dados da Embrapa e do IEPA, cerca de 300 mil hectares totalmente desmatados de Cerrado, aptos para a produção agrícola, prontos para chegar e plantar, com a tecnologia agrícola para começar a gerar a produção, pois como se sabe isso é praticamente da noite para o dia, você começa a plantar e já tem retorno dessa produção.

Portal – E o investidor não vem se há esse quadro de dúvida jurídica, claro. Mas esse rendimento se deu só com produtores do Amapá?
Joselito – Não, tivemos muitos produtores vindos do Mato Grosso e do Paraná também, com uma grande parte que se consorciou com produtores locais que já tinham áreas, em parcerias que lhes dão certa segurança e já estão produzindo. Em reuniões que tivemos com representantes deste segmento eles disseram que há uma projeção para se chegar a 100 mil hectares de área plantada em 2022, bastando para isso se solucionar essas questões colocadas anteriormente. Isso refletiria em 278 mil toneladas de soja, gerando uma riqueza de R$ 347 milhões, o que iria acrescer ao nosso PIB em 40% a mais, nosso Produto Interno Bruto.

Portal – O que seria uma boa injeção na economia do Estado, mais riquezas, não é?
Joselito – Exatamente, são coisas que os produtores mesmo falam, basta para isso resolver esses gargalos que os investidores virão, para aproveitar as vantagens comparativas que o Amapá apresenta para este setor.

Portal – Tem outro setor produtivo que apresente um cenário tão promissor quanto o de grãos atualmente professor?
Joselito – Não, a princípio não, por isso que eu coloquei que num curto prazo o que nós temos no Amapá, para impulsionar nossa economia mais rápido é o plantio de grãos, pois a partir da soja e do milho você vai poder verticalizar essa produção, pois a nossa industrialização ainda é incipiente, então devido ao dinamismo do mercado de grãos nós poderemos desenvolver a aquicultura, a avicultura e a suinocultura, tudo isso vai vir naturalmente em função das fábricas de rações que já estão chegando, diga-se de passagem, nós temos já uma fábrica grande de ração se instalando no Distrito Industrial [de Santana] e que em breve deve estar sendo inaugurada. Essa ração aqui, a um preço muito mais acessível, pois é o principal gargalo para essas outras atividades, você vai dar um salto para essas outras atividades deslancharem aqui no Amapá também.

Portal – Essas atividades viriam no paralelo?
Joselito – Sim, com a expansão do agronegócio, que é muito dinâmico e o estado já prepara as soluções e um ambiente. ■

Perfil

O economista Joselito dos Santos Abrantes é amapaense, natural de Serra do Navio; entre seus títulos acadêmicos é doutor em Desenvolvimento Socioambiental pela UFPA; Mestre em Desenvolvimento Sustentável pela UnB; Especialista em Teoria Econômica e Sustentabilidade pelo CEAP. Especialista em Agenciamento da Inovação e Difusão Tecnológica pela UNIFAP e Especialista em Gestão de Projetos de Arranjos Produtivos Locais pelo ILPES/CEPAL. Analista II do Quadro de Técnicos do SEBRAE/AP e Professor Titular do Centro de Ensino Superior do Amapá (CEAP). Atualmente exerce o cargo de vice-presidente da Agência Amapá de Desenvolvimento Econômico (Agência Amapá/GEA). O economista é vice-presidente da Agência Amapá de Desenvolvimento Econômico e professor do CEAP.

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